Questão
1*- Sabendo que o Direito Privado é o ramo do Direito que estabelece a relação
entre particulares e o Direito Público identifica que a relação jurídica se
forma a partir de dois polos: o sujeito ativo e o sujeito passivo, considere a
seguinte afirmação: "O Direito Privado não sofre intervenção do Direito
Público por serem ramos autônomos." Disserte sobre esta afirmação, em até
15 linhas.
Sempre quando o Estado figurar
entre um dos polos, ativo ou passivo, numa dada relação jurídica, serão as
normas de Direito Público que guiarão a referida lide. Importa destacar que, à
luz dos princípios constitucionais, o interesse coletivo se sobrepõe ao
individual ou particular. Dessa forma, hipóteses que aparentemente figuram
somente particulares, podem ensejar um bem coletivo a ser preservado ou
respeitado. Assim, tanto o Direito Civil constitucionalizado como o avanço da
efetividade dos princípios constitucionais contribuem para tornar cada vez mais
tênue a separação entre os Direitos Público e Privado. (MARTINS, 2011, p.22).
Isto posto, respondendo
objetivamente ao enunciado da questão, ainda que se trate de ramos autônomos, a
intervenção do Direito Público na esfera privada é cada vez mais frequente,
discordando com a afirmação da frase na questão 1.
Questão
2* - Considere o seguinte caso fictício: Uma Lei Ordinária, de caráter geral,
foi publicada em 12 de dezembro de 1997, regulamentando União Estável para
companheiros que estivessem juntos há mais de 3 (três) anos. Dez anos depois, o
Código Civil aboliu, no artigo 1.723 o prazo de que tratava a lei anterior.
Responda:
a)
Trata-se de antinomia?
b)
Qual das duas leis será aplicada?
c)
Explique como ocorre a antinomia.
a) Trata-se
de antinomia?
Sim, pois há no
ordenamento jurídico duas normas conflitantes, quais sejam, a Lei Ordinária de
12 de dezembro de 1997, definindo um prazo, e o Código Civil, posterior, abolindo aquele prazo, no tocante à União Estável.
b) Qual
das duas leis será aplicada?
Considerando que a Lei
Ordinária, de caráter geral, e o Código Civil, também de caráter geral, têm o
mesmo nível hierárquico, segue-se o critério cronológico para resolução do
conflito, portanto, prevalece a lei mais recente, ou seja, o Código Civil.
(MARTINS, 2011, p.62).
c) Explique
como ocorre a antinomia.
A antinomia não se
confunde com as lacunas na lei; esta é a ausência de norma para resolução de um
caso concreto; aquela é o conflito de normas regulando a mesma matéria.
A antinomia ocorre quando
se apresenta um caso concreto para resolução e há no ordenamento jurídico mais
de uma norma, em conflito entre si, regulando a mesma matéria. Nesse caso, a
Lei de Introdução às Normas do Direito Brasileiro regula os critérios de
resolução desse conflito, conhecido como antinomia, que são os critérios
hierárquico, cronológico e da especialidade.
Questão
3 - Você estudou sobre as espécies de domicílio existentes em nosso ordenamento
jurídico. Posso afirmar que o domicílio de eleição e domicílio eleitoral são
sinônimos? Explique e fundamente.
Para responder essa
questão necessário se faz confrontar o conceito de domicílio de eleição com o
eleitoral.
Domicílio
de eleição, ou
convencional, é aquele em que os contratantes especificam onde serão
exercitados e cumpridos os direitos e obrigações resultantes de determinados
contratos escritos, conforme o artigo 78 do Código Civil. Por sua vez, o domicílio eleitoral é o local onde o eleitor deve votar numa
eleição, “e verificado que o eleitor tenha mais de uma moradia ou residência,
considerar-se-á domicílio qualquer delas”, conforme artigo 42 do Código
Eleitoral.
Diante disso, fica claro que os domicílios eleitoral e de eleição não são sinônimos, haja vista que o primeiro deve respeitar alguns critérios,
por exemplo, três meses de residência na localidade (Código Eleitoral, artigo
55, parágrafo primeiro, inciso III), enquanto que o segundo é uma convenção
definida entre as partes, cujo único critério é a concordância de ambos.
* Questões elaboradas pela Professora Gisele Rodrigues Martins.